A bancada dos trabalhadores na Comissão Tripartite Paritária Permanente
(CTPP), órgão do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apresentou na
quinta feira, 11 em março, em Brasília, proposta de criação de um Grupo
de Estudos Tripartite (GET) para a elaboração de uma Norma
Regulamentadora (NR) sobre Segurança no Ramo Financeiro. A iniciativa
foi discutida e uma definição ocorrerá no prazo de 15 dias, quando os
representantes dos empregadores darão a resposta se concordam com esse
encaminhamento.
A CTPP é formada por seis representantes de cada bancada, que envolve
trabalhadores, patrões e o governo federal. A Central Única dos
Trabalhadores (CUT) possui dois representantes, sendo um deles o
secretário de saúde da Contraf-CUT, Plínio Pavão. "A NR de Segurança é
mais uma frente de ação para proteger a vida dos trabalhadores diante
dos riscos de assaltos e sequestros", destaca Plínio.
Há inúmeros casos de mortes, além de feridos e traumatizados. Em 2 de
março, um bancário foi morto durante tiroteio em assalto a uma agência
do Bradesco no interior do Maranhão. Em 24 de fevereiro a vítima foi um
vigilante, morto durante assalto a um posto do Banco do Brasil na Bahia.
"A Comissão é responsável por toda decisão tomada sobre as NR´s que
tratam da saúde do trabalhador no âmbito do Ministério do Trabalho",
diz Plínio. "A iniciativa de encaminhar uma proposta para criação da NR
de Segurança surgiu a partir de uma discussão no Coletivo Nacional de
Segurança Bancária e foi apoiada pelo Coletivo Nacional de Saúde da
Contraf-CUT. A proposta foi apresentada para a bancada dos
trabalhadores na CTPP pela Contraf-CUT em conjunto com a Confederação
Nacional dos Trabalhadores Vigilantes (CNTV)", completa.
A posição da bancada de governo é favorável à criação da NR,
reconhecendo sua responsabilidade em relação à questão e sua
competência para fiscalizar.
Objetivo
O documento encaminhado para a CTPP destaca que "a proposta tem por
objetivo responsabilizar os bancos, juntamente com as empresas de
segurança privada, para assegurar condições adequadas de segurança do
trabalho, a fim de proteger a integridade física, mental e a própria
vida dos trabalhadores, frente aos riscos da atividade e das sucessivas
ocorrências de assaltos e sequestros vitimando trabalhadores".
Tramitação
A partir da formação do GET, com base em indicações dos representantes
das bancadas, será elaborado um texto-base, o qual irá, quando
finalizado, ser submetido à consulta pública.
O GET é constituído por três a cinco membros de cada representação, e
seu trabalho consiste em buscar e sistematizar informações sobre o tema
para elaboração de um documento base. Após a finalização o texto é
submetido à consulta pública, cujas sugestões serão, juntamente com os
consensos e divergências observadas durante o debate do GET,
encaminhadas para um GTT, Grupo de Trabalho Tripartite, que irá
discutir e redigir a norma.
Para Plínio Pavão, "esse processo é trabalhoso, mas o resultado pode
ser bastante satisfatório. O importante é que haja um nível de consenso
razoável para que eventuais divergências sejam decididas pelo
Ministério".
"O risco é não se obter consensos e isso poderá comprometer a aprovação
norma. De qualquer modo acreditamos que esse debate será bastante rico.
Resta agora esperarmos a posição dos representantes patronais", conclui
Plínio.
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