FOLHA DE SÃO PAULO
LUCIANA COELHO
ENVIADA ESPECIAL À BASILEIA
Está empacando o plano de impor regras mais duras para os bancos
"sistemicamente importantes" - aqueles cuja quebra pode se perpetuar em
cascata pelas finanças de um país ou pela economia global.
A proposta foi inicialmente colocada como um pilar da estratégia do BIS
(o Banco para Compensações Internacionais, que rege os BCs mundiais)
para evitar novas bolhas de crédito e conter o efeito de crises
futuras. Mas, a cada reunião da entidade e de seu Conselho de
Estabilidade Financeira, as medidas que poriam o plano de pé ficam mais
nebulosas.
O prazo para definir as regras é setembro, com vistas à sua aprovação
até o fim do ano e implementação até 2012. De início, o BIS listaria as
instituições alvo de atenção especial. Mas queixas dos bancos privados,
contrários a uma "lista negra", dividiu os 27 BCs, e a ideia sucumbiu.
Depois, proclamou-se que as medidas (como um valor mais alto para o
"colchão" de capital que cada banco terá para se prevenir contra
crises) seriam fixadas pela entidade central. Agora, não mais.
"O que estamos discutindo é exatamente o quão específico o comitê da
Basileia pode ser nessa definição das organizações sistemicamente
importantes, de quais serão os colchões de capital e de liquidez",
disse o presidente do BC brasileiro, Henrique Meirelles.
Mais cedo, Mario Draghi, presidente do conselho, afirmara que caberia a
cada BC avaliar as medidas aplicáveis a seu sistema. "Temos de ter um
mínimo de regulação comum em um campo como este, e aí os países teriam
liberdade para tomar mais medidas", disse.
A discussão cresce com a desarmonia no ritmo da recuperação econômica
global, com a Ásia à frente, os demais emergentes em seguida (Brasil
inclusive), os EUA depois e a Europa na lanterna.
Afinal, enquanto delineiam as regras, os BCs precisam tratar da
retirada gradual das medidas que tomaram para ampliar a liquidez em
seus países no auge da crise.
E a disparidade nessa operação ficou clara nas reuniões do BIS ontem e
domingo. Jean-Claude Trichet, que preside a entidade, frisou ser
interesse geral corrigir o desequilíbrio.
O Brasil nesse campo vai bem, diz Meirelles, já tendo retirado das
reservas o saldo dos estímulos e revertido quase completamente a
decisão excepcional de liberar o compulsório, entre outras coisas.
Segundo ele, EUA e emergentes se recuperam mais rápido, e o risco é a
União Europeia. O BIS debateu o risco de a crise da dívida grega
contaminar o bloco, inflando os juros das dívidas de outros países.
Outra preocupação, segundo Meirelles, é com uma bolha chinesa.
Ontem, como antecipou a coluna "Mercado Aberto", Meirelles anunciou que chefiará o Conselho das Américas do BIS.
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