Valor Econômico
Fernando Travaglini, de São Paulo
O Banco Rural continua intenso trabalho de readequação de suas
atividades, com redução de despesas e otimização das estruturas
internas, como a centralização do "back-office" em Belo Horizonte. O
objetivo é recolocar o banco na trilha do crescimento depois do forte
baque sofrido com a crise do mensalão, em 2005, logo na sequência da
quebra do Banco Santos, em 2004. Os dois eventos derrubaram a carteira
de crédito da instituição de R$ 5 bilhões para R$ 400 milhões.
A recente crise internacional, no entanto, acabou colaborando com a
nova estratégia. Isso porque a carteira de crédito alocada no balanço
passou de R$ 1,05 bilhão, em dezembro de 2008, para R$ 1,85 bilhão no
fim do ano passado. A explicação é que o banco estava preparado e com
dinheiro em caixa, o que permitiu acelerar as concessões e recuperar
fatia de mercado, avalia João Heraldo Lima, presidente do banco.
A maior evolução se deu na carteira de crédito corporativo, que chegou
a R$ 1,45 bilhão, contra R$ 500 milhões em 2008. "Encontramos espaço
para crescer e reconquistar clientes antigos", diz Vinicius Samarane,
vice-presidente administrativo.
Dessa forma, a participação dos empréstimos de pequenas e médias
empresas passou a representar 80% do total da carteira, enquanto o
estoque de crédito consignado se manteve praticamente constante.
O banco registrou ainda queda na inadimplência, de 7,6%, em 2008, para
2,5% em 2009, fruto, também, do aumento do estoque de linhas.
Para este ano, o objetivo é registrar nova expansão das concessões, da
ordem de 50%, completa Heraldo, tanto entre as empresas, quanto na
pessoa física.
Para fazer frente a essa evolução, o banco recebeu mais uma injeção de
capital dos acionistas. Em janeiro deste ano, foi feito um aporte de R$
25 milhões, que se soma aos R$ 100 milhões colocados no fim de 2007.
Com a nova integralização, o índice de Basileia sobe para 12,75%,
permitindo o crescimento vislumbrado pela administração, afirma José
Roberto Salgado, vice-presidente operacional.
O lucro líquido da instituição atingiu R$ 49,851 milhões, ligeira queda
em relação ao ano anterior (R$ 50,854 milhões). O patrimônio líquido
ficou em R$ 387 milhões, do qual decorre a rentabilidade de 12,7%. A
captação cresceu 42% no ano. "Estamos nos preparando para um salto no
futuro e talvez até abrir o capital", diz Heraldo.
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